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Mostrando postagens de 2024

Breve nota sobre Frantz Fanon

  " Enquanto sou objeto de valores que vêm me qualificar sem que eu possa agir sobre esta qualificação ou sequer conhecê-la, estou na escravidão. " (Ser e Nada) É daí que parte toda a visão de mundo do Fanon.  Nunca me incomodou o ódio pela história em Fanon, como um discípulo de Sartre, Fanon não poderia ter nenhum tipo de apreço para com o rigor histórico, então, eu não espero o impossível, mas o que sempre me incomodou, tal qual nas mentiras escatológicas do Althusser, foram as atribuições a Marx de concepções anti-históricas absurdas e Fanon faz isso desde "pele negra, mascaras brancas", cujo o último capítulo seria digno de aplausos de Jaspers ou Merleau-Ponty, figuras que o martinicano exibe um tremendo respeito ao longo de toda sua obra e, portanto, não é raro encontrar historicidade e temporalidade do ser em Fanon, seja no preto ou no descolonizado em geral, por exemplo: "o grupo [descolonizado] já não foge a si mesmo. Reencontra-se o sentido do pas...

Por que a assim chamada esquerda radical precisa se moderar e a direita bolsonarista não?

Como toda a esquerda, incluindo a autodeclarada radical, é lulista e, por consequência, eleitoreira, submete a política às eleições, não o oposto, que é o correto, e como é irrelevante do ponto de vista eleitoral, portanto, presume que para fazer política tem que se moderar. Isso não vale para a direita bolsonarista, que emerge "do nada" — e isso, por si só, já mostra a sua força política — e também atua dentro e fora da janela eleitoral constantemente. A direita bolsonarista é uma força, para uma força, as eleições são meros estágios da luta política. A esquerda “radical” não é irrelevante eleitoralmente porque é radical, mas porque não é uma força e não é uma força porque não atua para ser uma força, sequer vislumbra o que seria isso, então sempre se volta para as eleições e para se voltar às eleições, se modera. Hugo Chávez não se modera para participar das eleições de 98 porque ele era líder de uma força política, só pra citar um mísero exemplo à esquerda. Uma força só se...

Escravidão em Africa e o Brasil Paralelo

   O Brasil Paralelo faz um revisionismo histórico grotesco, mas, vamos lá, havia escravidão em África? É um debate que perpassa uma infinidade de bons autores e correntes: egipitólogos, africanistas, especialistas em mundo islâmico, historiadores, sociólogos, subdesenvolvimentistas (no geral, discípulos do Gunder Frank), etc., mas é consenso que escravidão, nos termos europeus, não houve por muito tempo. A África era cheia de "reinos" desde muito antes dos europeus lá chegarem e, como mostra Walter Rodney, não necessariamente eram impotentes ao poderio europeu, só escolheram o ser, não de maneira arbitrária, mas pelos ditames da luta de classes, afinal, todos os "reinos" eram sociedades de classes. Faziam negócios. Os europeus ofereciam produtos diversos (principalmente armas) em troca de mão de obra. Demorou muito para os europeus entrarem África adentro pois não havia necessidade, os muçulmanos que lá dominavam já mantinham, em algum sentido, o que seri...