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O mito da consciência autônoma

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  Desde já, peço perdão por eventuais erros no texto já neste momento estou internado no hospital por alguns pequenos problemas de saúde e como o tempo livre aqui é infinito, esse texto também foi escrito durante minha estádia. Eu poderia soltar ele em alguns dias depois de voltar para a casa e fazer uma avaliação mais detida, porém, os textos que público aqui não tem qualquer pretensão exceto a auto satisfação e acredito que esse me satisfaz, preencheu o critério principal. "Todo o material que compõe o conteúdo do sonho se origina, de alguma forma, da experiência vivida, sendo assim reproduzida e lembrada durante o sonho — isso, pelo menos, pode ser considerado um fato indiscutível. Contudo, seria um erro presumir que tal conexão entre o conteúdo do sonho e a vida desperta deva surgir prontamente como um resultado óbvio da comparação. Ao contrário, ela deve ser cuidadosamente buscada e, em muitos casos, permanece oculta por um tempo considerável. A razão para isso reside em uma ...

A criatividade de cinco grandes novelistas

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  Tolstói  Dostoievski  Victor Hugo Balzac Alexandre Dumas Como alguém que não acredita em talento como sendo uma dádiva divina inerente a certos homens escolhidos por sei lá quem, eu sempre me questionei como aqueles grandes clássicos da literatura foram feitos, quais os "segredos" dos autores e eu descobri várias coisas que não eram segredos e que a poucos interessa — assim como poucos tem interesse pelos rabiscos de Michelangelo — dizem que perde-se a "magia". Já parou pra pensar que a magia só nos encanta quando acontece e não quando sequer a conhecemos? Portanto, penso que é um receio injustificável. Para escrever sobre guerra é preciso paz, às vezes, para escrever sobre paz é preciso de guerra, algum tipo de guerra, mesmo que uma guerra interna. O privilégio da ociosidade regrada é o útero dos gênios. "Um escritor não está trabalhando apenas quando segura uma caneta na mão. Ele precisa permitir-se gestar a obra." A. N. Wilson Com o parasitismo sem ...

O que é a "esquizo-análise"?

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  1) Primeiramente eu não expando a tese para além dos limites do trato dos viventes, ou seja, o trato consigo mesmo, embora sei que muitos autores a generalizem; fazem uma esquizo-análise da sociedade, da cultura, da história, etc., e na linguística há um boa razão para tal utilização, mesmo assim, não pertence ao núcleo duro da "teoria", apenas a sua apresentação como "enunciado", por assim dizer. Eu levo mais ao pé da letra, creio ser mais fortemente uma abordagem psicanalítica e no próprio anti-Édipo há alguns trechos que não me deixam mentir, afinal, tanto Deleuze como Guatarri estão se opondo a edipianização e não a psicanálise, escrito dessa forma textualmente. "A esquizo-análise não se propõe resolver o Édipo, não pretende resolvê-Io melhor que a psicanálise edipiana. Propõe-se desedipianizar o inconsciente para poder chegar aos verdadeiros problemas. Propōe-se atingir essas regiões do inconsciente órfão "para lá de todas as leis", em que o pr...

Palavras apenas...

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  Guardada as devidas proporções, frases de boteco do tipo "palavras trazem consigo um peso emocional" só repetem o antigo lema positivista: "o que está na letra é lei". Entretanto, agora, o alvo da lei é o emocional e a letra quem dar somos nós, embora não façamos conscientemente, o entendimento do emocionado é que vai dizer o peso de nossas palavras. Eu não posso dizer o que quero, pois há um risco iminente de machucar alguém. Nem o policiamento mais totalitário iria tão longe. É evidente que palavras impactam de diferentes maneiras, mas porque representam algo que já estava previamente posto e não porque possuem uma potência intrínseca. A geração catatônica, ansiosa e com pulsão de morte constante não pode culpar palavras pelos seus sofrimentos, eles são em grande parte legítimos e dignos de empatia, porém não abuse da benevolência alheia. Historicamente, os mais distintos povos, por diversas razões que não vem ao caso, tem cada vez mais feito um movimento pró-an...

Esquerda e direita contra a história

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  Lidiya O anti-historicismo de esquerda, que se reinvindica anti-eurocêntrico, é tão metafísico quanto o último, além de possuir o mesmo caráter aristocrático. Isso pode ser verificado através da subsunção de "fatos" com a justificativa de possuir um posto "natural" capaz de revelar a verdade quase que por prestidigitação, sem nem mesmo influir uma investigação, a verdade é mera "visão de mundo" que só os mágicos aristocratas possuem: "cada vez mais se espera que os historiadores de origem africana escrevam sua história e o façam com a narrativa que julgarem mais apropriada." (Tiago Luís Gil, história e historiografia da escravidão no Brasil). E a metafísica se dar a partir da afirmação de uma História, que se opõe a História supostamente eurocêntrica, é claro, mas jamais sob uma base material. É uma oposição linguística e não substancial. Se aventura também através infantilidade de brigar com fatos históricos concretos exaustivamente revisados ...

"Eternas" vítimas do capital

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  No Japão, uma das formas "masculinistas" criadas em resposta às conquistas das mulheres pós-Segunda Guerra está no que eles chamam de "lolicon" (abreviação para complexo de Lolita), ou seja, ultra-infantilização de mulheres e até mesmo a substituição de mulheres reais por bonecas, desenhos ("animes") e personagens 2D em geral que, justamente por serem representações de crianças e pré-adolescentes não possuem nenhum tipo de altivez e, claro, por serem fictícias não possuem nenhum tipo de vontade própria, tornando a hipostasia dos fetiches algo dependente apenas do poder aquisitivo. No Ocidente, por outro lado, nunca se abandonou as mulheres reais (não de maneira generalizada como no Japão) e é possível dizer que há um processo invertido no "modelo ideal" de mulher, ou seja, a adultização de crianças, bem como um nítido processo de seletividade e convencimento de tipo conservador-comportamental, quer dizer, um processo de selecionar as mulheres ...

Contra o nacionalismo

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  Os nacionalistas estão cobertos de razão em abominar o criterioso socialismo científico que morre com Lenin. Não existe heresia maior para a burguesia que a negação da Nação (explicita no russo) que é, no "momento constitutivo" do capitalismo, o primeiro filho bastardo, tão bastardo que até hoje não se sabe quem é o pai. A questão, em essência, é que a Nação não é para todos, é para todos conforme todos andem em direção a um objetivo particular de um grupo particular. Mas a Nação nega tal desintegração e assume o caráter de um Povo, o que é esse Povo? A Nação, o que é a Nação? O Povo, como determinamos esse Povo? Não determinamos, suas diferenças possuem um viés superficial, na linguagem filosófica, natural, no mais, o Povo é um Uno.  A pergunta que fica é, se sem povo não há Nação, sem Nação há povo? Por certo Demóstenes não cometeu suicídio porque as pólis estavam em vias de extinção e Atenas se tornava um pária até os nossos dias, os curdos seguem vivos e se multiplicand...