Por que a assim chamada esquerda radical precisa se moderar e a direita bolsonarista não?

Como toda a esquerda, incluindo a autodeclarada radical, é lulista e, por consequência, eleitoreira, submete a política às eleições, não o oposto, que é o correto, e como é irrelevante do ponto de vista eleitoral, portanto, presume que para fazer política tem que se moderar. Isso não vale para a direita bolsonarista, que emerge "do nada" — e isso, por si só, já mostra a sua força política — e também atua dentro e fora da janela eleitoral constantemente. A direita bolsonarista é uma força, para uma força, as eleições são meros estágios da luta política.

A esquerda “radical” não é irrelevante eleitoralmente porque é radical, mas porque não é uma força e não é uma força porque não atua para ser uma força, sequer vislumbra o que seria isso, então sempre se volta para as eleições e para se voltar às eleições, se modera. Hugo Chávez não se modera para participar das eleições de 98 porque ele era líder de uma força política, só pra citar um mísero exemplo à esquerda.

Uma força só se constrói através de rupturas (2013), rupturas só podem ser feitas por massas, se aproveita as rupturas para se tornar uma força através das massas assumindo aqueles sentimentos que levaram à ruptura como parte de seu programa e não os condenando porque raramente são falsos (pra não dizer nunca). Massas não se movem por leviandades, se movem por necessidades reais, claras e verdadeiras. Até as massas que bancaram Hitler e o impuseram goela abaixo de Hindenburg tinham suas legítimas razões, tal qual aquelas que rechaçaram o governo provisório dos Mencheviques, na Rússia de 17. Exemplos de força política em situações extremas.

Então, chegamos em Boulos, a pergunta é, se ele se radicalizasse, ganharia a eleição? Óbvio que não porque, se entendeu o que eu quis dizer nos parágrafos anteriores, percebeu que as eleições são meras etapas e não o fundamento, as eleições devem ser resultado de um processo de aquisição de força política, Boulos só tinha o culto à personalidade do Lula, que não é sequer uma força política, mas eleitoral e em claro declínio no coração burguês do Brasil. Se Boulos tivesse sido um radical, no máximo, teria sido chamado corretamente de hipócrita, como se radicaliza sendo chapa branca do governo federal? A primária radicalização hoje, no Brasil, é ser oposição clara ao governo federal e não há um partido no Brasil que faça essa radicalização primária. Se passando por radical, Boulos poderia até ter perdido votos pro Marçal que exerce o radicalismo primário.

Discordo de quem coloca a derrota de Boulos como uma derrota política, não havia política em Boulos, tudo era eleitoral. Mas, considerando pela ótica lulista, quer dizer, a política sendo reduzida ao eleitoral, então, sim, o lulismo na figura do Boulos foi estraçalhado “politicamente” e isso só reverbera na “esquerda” como um todo porque ELA É INTEGRALMENTE LULISTA! Seja a renegada, seja a orgulhosa, são todos lulistas. Para eles, não existe esquerda sem Lula e não estou tirando a importância do Lula, estaria louco se o fizesse, mas uma coisa é sua importância como um inimigo de classe que ele é, muito diferente é ser tratado como o Ethos da esquerda.

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