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Mostrando postagens de 2025

A criatividade de cinco grandes novelistas

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  Tolstói  Dostoievski  Victor Hugo Balzac Alexandre Dumas Como alguém que não acredita em talento como sendo uma dádiva divina inerente a certos homens escolhidos por sei lá quem, eu sempre me questionei como aqueles grandes clássicos da literatura foram feitos, quais os "segredos" dos autores e eu descobri várias coisas que não eram segredos e que a poucos interessa — assim como poucos tem interesse pelos rabiscos de Michelangelo — dizem que perde-se a "magia". Já parou pra pensar que a magia só nos encanta quando acontece e não quando sequer a conhecemos? Portanto, penso que é um receio injustificável. Para escrever sobre guerra é preciso paz, às vezes, para escrever sobre paz é preciso de guerra, algum tipo de guerra, mesmo que uma guerra interna. O privilégio da ociosidade regrada é o útero dos gênios. "Um escritor não está trabalhando apenas quando segura uma caneta na mão. Ele precisa permitir-se gestar a obra." A. N. Wilson Com o parasitismo sem ...

O que é a "esquizo-análise"?

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  1) Primeiramente eu não expando a tese para além dos limites do trato dos viventes, ou seja, o trato consigo mesmo, embora sei que muitos autores a generalizem; fazem uma esquizo-análise da sociedade, da cultura, da história, etc., e na linguística há um boa razão para tal utilização, mesmo assim, não pertence ao núcleo duro da "teoria", apenas a sua apresentação como "enunciado", por assim dizer. Eu levo mais ao pé da letra, creio ser mais fortemente uma abordagem psicanalítica e no próprio anti-Édipo há alguns trechos que não me deixam mentir, afinal, tanto Deleuze como Guatarri estão se opondo a edipianização e não a psicanálise, escrito dessa forma textualmente. "A esquizo-análise não se propõe resolver o Édipo, não pretende resolvê-Io melhor que a psicanálise edipiana. Propõe-se desedipianizar o inconsciente para poder chegar aos verdadeiros problemas. Propōe-se atingir essas regiões do inconsciente órfão "para lá de todas as leis", em que o pr...

Palavras apenas...

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  Guardada as devidas proporções, frases de boteco do tipo "palavras trazem consigo um peso emocional" só repetem o antigo lema positivista: "o que está na letra é lei". Entretanto, agora, o alvo da lei é o emocional e a letra quem dar somos nós, embora não façamos conscientemente, o entendimento do emocionado é que vai dizer o peso de nossas palavras. Eu não posso dizer o que quero, pois há um risco iminente de machucar alguém. Nem o policiamento mais totalitário iria tão longe. É evidente que palavras impactam de diferentes maneiras, mas porque representam algo que já estava previamente posto e não porque possuem uma potência intrínseca. A geração catatônica, ansiosa e com pulsão de morte constante não pode culpar palavras pelos seus sofrimentos, eles são em grande parte legítimos e dignos de empatia, porém não abuse da benevolência alheia. Historicamente, os mais distintos povos, por diversas razões que não vem ao caso, tem cada vez mais feito um movimento pró-an...

Esquerda e direita contra a história

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  Lidiya O anti-historicismo de esquerda, que se reinvindica anti-eurocêntrico, é tão metafísico quanto o último, além de possuir o mesmo caráter aristocrático. Isso pode ser verificado através da subsunção de "fatos" com a justificativa de possuir um posto "natural" capaz de revelar a verdade quase que por prestidigitação, sem nem mesmo influir uma investigação, a verdade é mera "visão de mundo" que só os mágicos aristocratas possuem: "cada vez mais se espera que os historiadores de origem africana escrevam sua história e o façam com a narrativa que julgarem mais apropriada." (Tiago Luís Gil, história e historiografia da escravidão no Brasil). E a metafísica se dar a partir da afirmação de uma História, que se opõe a História supostamente eurocêntrica, é claro, mas jamais sob uma base material. É uma oposição linguística e não substancial. Se aventura também através infantilidade de brigar com fatos históricos concretos exaustivamente revisados ...

"Eternas" vítimas do capital

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  No Japão, uma das formas "masculinistas" criadas em resposta às conquistas das mulheres pós-Segunda Guerra está no que eles chamam de "lolicon" (abreviação para complexo de Lolita), ou seja, ultra-infantilização de mulheres e até mesmo a substituição de mulheres reais por bonecas, desenhos ("animes") e personagens 2D em geral que, justamente por serem representações de crianças e pré-adolescentes não possuem nenhum tipo de altivez e, claro, por serem fictícias não possuem nenhum tipo de vontade própria, tornando a hipostasia dos fetiches algo dependente apenas do poder aquisitivo. No Ocidente, por outro lado, nunca se abandonou as mulheres reais (não de maneira generalizada como no Japão) e é possível dizer que há um processo invertido no "modelo ideal" de mulher, ou seja, a adultização de crianças, bem como um nítido processo de seletividade e convencimento de tipo conservador-comportamental, quer dizer, um processo de selecionar as mulheres ...

Contra o nacionalismo

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  Os nacionalistas estão cobertos de razão em abominar o criterioso socialismo científico que morre com Lenin. Não existe heresia maior para a burguesia que a negação da Nação (explicita no russo) que é, no "momento constitutivo" do capitalismo, o primeiro filho bastardo, tão bastardo que até hoje não se sabe quem é o pai. A questão, em essência, é que a Nação não é para todos, é para todos conforme todos andem em direção a um objetivo particular de um grupo particular. Mas a Nação nega tal desintegração e assume o caráter de um Povo, o que é esse Povo? A Nação, o que é a Nação? O Povo, como determinamos esse Povo? Não determinamos, suas diferenças possuem um viés superficial, na linguagem filosófica, natural, no mais, o Povo é um Uno.  A pergunta que fica é, se sem povo não há Nação, sem Nação há povo? Por certo Demóstenes não cometeu suicídio porque as pólis estavam em vias de extinção e Atenas se tornava um pária até os nossos dias, os curdos seguem vivos e se multiplicand...

A filosofia estadounidense

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No purgatório de Dante, Marco exaltava que os dois sóis de Roma eram Deus e o Estado, possibilitando a ação do sacrossanto Direito, e é possível dizer que esse cânone é o ponta pé inicial de todos os Estados desde o Renascimento. Mesmo aqueles atrasados tiveram que passar pela idolatria do Direito — como a desfuncional forma que esse assume na Alemanha previamente a primeira unificação —, para daí sim entrar em sua fase "moderna". Com os EUA não foi diferente, a grande questão é que os EUA não fez um processo de cortar o cordão umbilical entre a pré-modernidade e a modernidade, ele metamorfeou as formas pré-modernas tão pragmaticamente que seus pares anglicanos passaram a soar como poetas a meditar sobre a natureza apenas para descrevê-la dramaticamente. O resultado que sucedeu é que os dois sóis continuaram brilhando nos céus estadounidenses, são eles: o dinheiro como Deus e o lucro como Direito. "Senhores, durante séculos a Inglaterra utilizou o protecionismo, levou-o ...

De novo a ameaça fascista

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Pouquíssimos desde 2016 e menos ainda desde 2014 vem falando solitariamente que classificar Bolsonaro como fascista e o Bolsonarismo mesmo como um movimento fascista leva à diversas análises errôneas e comprometedoras e isso já está mais que provado, mas também leva ao fornecimento do mapa do tesouro aos liberais de esquerda. A pauta do PT desde a prisão de Lula, em 2018, é de que temos que votar naqueles apoiados pelo lulo-petismo, secundarizando qualquer desavença, já que do outro lado se encontram os fascistas e, como está faltando pouco mais de um ano para as eleições, com o componente do julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe e a evidente tomada de posição do governo estadounidense a favor do ex-militar rebelde, a ameaça fascista voltou a se intensificar uma vez mais.  Primeiramente, é preciso dizer que o fascismo aqui é uma definição aprioristica, já se tem certeza que os oponentes são fascistas, qualquer análise para provar essa tese vai ser só o caminho percorrido p...

O que é identidade é identitário?

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Me parece óbvio que o primeiro condiciona o segundo. Mas o que é o primeiro? Focando apenas na história recente do conceito, que é o que interessa, existem duas interpretações: a positivista e a subjetivista. Qual seria o melhor exemplo da positivista? O próprio princípio jurídico do 'tertium non datur' , ou da não contradição, do terceiro excluído, enfim, há vários nomes, mas, em síntese, ele afirma uma igualdade estática que não permite meio termo, ou algo é ou não é. Havia um filósofo sionista na primeira metade do século XX que se enveredava pela física chamado Émile Meyerson que definia que tudo era movido pelo princípio da identidade, ou seja, tudo era igual a si mesmo e a contradição era um erro. Essa é a identidade positivista.  Em contraposição, surge a identidade que não é mais estática, essa se refere às pessoas, por isso, duplamente subjetivista. Mas isso não é contraditório? Depende, essa identidade não é estática em relação a definição positivista, ela é estática...

Breves notas sobre o irracionalismo e razão técnica

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 Às vezes, acontecem alguns debates entre intelectuais gringos que são interessantes, entretanto, quase sempre os debatedores não estão falando a mesma língua e nem mesmo sabem a língua que o outro está falando. É o que frequentemente acontece entre os "racionalistas" e os "irracionalistas", os últimos geralmente sabem perfeitamente a língua que falam os primeiros, mas eles mesmos não a falam, mas os primeiros geralmente estão num mar revolto e sem bússola, e é até dantesco perceber o quão inocente são quando dizem coisas do tipo "isso que vocês [irracionalistas] estão colocando não faz sentido; isso é um completo absurdo; isso não tem base histórica alguma; isso não se sustenta em nada", ao fim, os irracionalistas falam "sim". Quem "ganha" o debate me parece óbvio, mas a verdade é que os irracionalistas já começam perdidos. Então, tentando demonstrar alguma dignidade, eles apelam, é claro. As apelações são inúmeras, desde ataques ad ho...